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Ser Brasilitária é ter a coragem de encontrar o Fio da Meada
Quem lê o mundo e o modo como se organiza, Ouve (através de encontros e conversas) e Vê de maneira aberta e sem pré-conceitos nunca está sozinho.

Ser Brasilitária é acreditar em primeiro lugar em si, nos seus sonhos, empreender e saber que logo ali, encontrará um mundo de possibilidades. Basta ousar e lançar-se ao mundo, saindo de trás dos muros, ir para rua, conversar com todos, seguir caminhos diferentes, trilhas incomuns, sinais, rumores e acima de tudo usar a intuição do que vem a ser a sua maior vocação. Descubra-se. Dispa-se de egos e vaidades. Disponha-se a ser um “pontinho” ligando-se a um outro e formando a grande rede do conhecimento solidário.

Flavia Wass Jornalista e idealizadora do projeto Brasilitária: O Fio da Meada É Um Jeito Brasil de Ler, Ver e Ouvir.

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"A linguagem não é um simples acompanhante, mas um fio profundamente tecido na trama do pensamento." Linguista Dinamarques Louis Hjelmslev

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Encontre o Fio da Meada: Um Jeito Brasil de Ler, Ver e Ouvir forma indivíduos que reconhecerão as suas raízes, essências e organiza futuros empreendedores do seu saber. Contamos com apoios, parcerias e patrocínio de empresas empenhadas e comprometidas com a responsabilidade social e mais: é primordial, que contenham em sua filosofia empresarial paradigmas relacionados ao bem-estar humano, a alegria, a informação, a nossa origem brasileira, um significado e, acima de tudo, valorizando o que temos de melhor no País, o ser humano!

Formando a Teia para o Entusiasmo na caminhada

O projeto Fio da Meada: Um Jeito Brasil de Ler, Ver e Ouvir busca atender a formação dos futuros trabalhadores, empreendedores, criativos seres humanos, preparados para um novo mundo de oportunidades, pois segundo pesquisa realizada, isolados em instituições de ensino e preocupados com o "sucesso" individual, estão desconectados da realidade coletiva, colaborativa e solidária.


"Se pode dar somente um presente ao teu filho, que seja o entusiasmo." Bruce Barton

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Festa Befana na pensione Lela



Por quase um século Piazza Navona, em Roma, dos dias 05 ao 10 de janeiro, se torna o lugar mais importante onde se celebra a festa da Epifania. Aqui no Brasil festejamos o Terno de Reis e dia do astrólogo.Suas origens são obscuras e mais longe, uma mistura mágica de elementos tradicionais e populares, pré-cristãos e cristãs. La Befana traz, de fato, seus dons na memória de todos aqueles oferecidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus no dia da Epifania.

Nem mesmo na terra de todos os santos e milagres,  Giordana desconfiaria, que em um dos últimos passeios com a piccola Raquel no auge da sua energia e daqueles 13 anos de idade, na manhã seguinte estaria neste mesmo local e seria seu reduto e caminho por longos cinco anos. 
Um domingo maravilhoso de sol a levou aceitar o convite da prodigia menina. Entusiasmada como sempre conversava sem parar numa emoção comovente detendo a convidada a qualquer tipo de recriminação. Ao contrário, guardava uma gratidão de ser guiada pela jovem inusitada criaturinha. 
A piazza Navona lotada sem um espaço concedido a esticar meio braço. 
Festejava-se os três reis magos na festa da Béfana.Veracidade completa quando esbarravam com bonecos enormes atingindo a altura dos cinco metros, bruxas, vassouras, os magos e todos impunhavam cestos enormes contendo balas e guloseimas distribuídos gentilmente e com extremada alegria. 
Parecendo uma quermesse as tendas vendendo desde bijuterias, artesanatos típicos à comida ou acertar no alvo e levar um brinde, pescar, a pontaria alcançava a fiação das sinapses cerebrais e atingia singular ponte com parada obrigatória nos parques de diversões mais puros freqüentados para quem teve: a infância!
E da sua Giordana apesar de ter passado alguns percalços, orgulha-se. 
No decorrer do dia apreendeu algumas informações entre compactuar com a eufórica entusiasmada guia e escutar dos freqüentadores assíduos há quase 100 anos na mesma Piazza Navona, aquelas estórias pelas quais transitavam por um universo cheio de magia. 
Diz a lenda..... conta a senhora robusta e de tom saudável, atrás do balcão improvisado da barraca das bijuterias: _  Como fim do ano solar, o ciclo de festas e comemorações conclui-se  até 06 de Janeiro culminando com o dia da Epifania, que na sabedoria popular todas as festas leva embora. Giordana ouvia ao meio de barulho e imensa confusão. Esforçava-se e mantinha a concentração. Esperava entre perguntas sobre a mercadoria,  as vendas e aguarda mais e mais até saber tudo e ouve.....
_ O termo epifania, de origem grega, que significa “manifestações” e entenda-se, continua a senhora em tom categórico, “divindade”. Vem sendo ultilizado pela tradição cristã para designar a primeira manifestação da “divindade de Jesus Cristo” e na presença dos reis magos. Raquel puxava Giordana, nestas alturas, na roupa, braço, pisava em seu pé e estava irriquieta como se tivesse cinco anos de idade e com habilidade fazia afagos e carinhos para que a pequena se distraisse com os badulaques e assim,  podia continuar atenta porque na escola ouviu somente o lado da cultura hebraica. Anoitecia e nem notaram....a dona da palavra sentiu-se importante e cada vez encenava com mais capricho por sentir gosto pelo bom espetáculo.

Festa da Epifania: bancas cheia de meias de todos os tipos e tamanhos de doces tradicionais e, em especial, a festa clássico doce da Epifania, a menina assombrada: uma maçã com um pedaço de madeira coberto com açúcar colorido vermelho (uma clara referência à bruxa tradicional maçã da Branca de Neve).
Não sabia se ela oferecia enfeites ou lendas. Empostou a voz e todos arregalaram os olhos colocando o queixo para frente e os ouvidos alargaram-se como bons cúmplices de toda boa fábula e lenda: Recupera a voz:
_ Porém, o termo epifania, popularizado em Befana contém um significado diverso designando à figura de uma “velhinha” particular. Tenta explicar melhor....Em efeito, (esta maneira de introduzir a frase giordana ouviria bastante dali em diante), continua.... temos um modo de ver as outras tradições italianas que se celebram em todo arco do ano, muitas outras festividades tem uma origem rural, alicerçando suas raízes no nosso passado agrícola. 
Com a Befana, a mesma coisa. De fato, (outra introdução usada), “infatti”....a décima segunda noite depois do natal depois do solstício invernal, celebra-se a morte e renascimento da natureza, através da figura pagã de “Madre Natura”. Na noite de 06 de janeiro, a “Madre Natura”, cansada por haver doado durante o ano, aparecia sob forma de uma “velhinha” e benevolente bruxa (“strega”) que voava para os céus com sua vassoura. Então seca, “Madre Natura” era pronta para ser queimada como um ramo e  vir das cinzas como a jovem Natureza e na lua nova. Contudo, antes de padecer.....sentimos que estava no final...sua respiração mudou...todos estáticos ouviam sem piscar.... a “velhinha” distribuía doações e doces plantando a semente que sabiam nascer no ano seguinte.
Em muitas regiões italianas, neste período, acontecem diversos ritos purificadores semelhantes aqueles do carnaval, em cujo ensejo, arranca o mal dos campos graças aos “panelões” que fazem grande estardalhaço ou acendem imponentes fogueiras. Seguindo esta estrada, em algumas localidades se constroem espantalhos de palha em forma de “velhinha”  e fica queimando durante toda noite entre cinco e seis de janeiro. A estória produziu um efeito e milagre....Raquel acalmou-se aconchegando-se no braço convidativo de Giordana e as duas exaustas aninhavam-se uma na outra procurando aconchego, amor e fraternidade. Fraterno inicio.Primeiro passeio a uma data comemorativa perecendo distante de terminar este dia, as duas incansáveis visitaram tudo, comeram, riram, correram, olharam os mínimos detalhes esbaldando-se entre as lendas dos magos, bruxas velhinhas e feitiçarias. Queriam retardar ao máximo aquele encantamento decidindo então, voltar descobrindo caminhos e fazendo outros trajetos. A anfitriã tinha uma ânsia em revelar segredos e ruelas à receptiva hóspede da pensione Lela. Apesar da diferença de idade pareciam iguais na vontade de conhecer tudo explorando o adolescer intransferível e desprovido de convites: é como nascer com um sinal.  Uma marca de nascença.Ao chegarem em uma esquina, Raquel indicou uma rua à esquerda, que desembocava em um atrativo turístico irresistível do outro lado e perguntou se Giordana queria entrar, ao invés de seguir caminho, entrar e conhecer a “Fontaine di Treve”. Respondeu com outra pergunta: _ Aquela dos filmes? 
A proposta da entusiasta "guida" ficou esperando alguns segundos sem saber do que Giordana estava falando e rápido veio a afirmativa resposta e as duas adentraram em uma rua larga e alguns passos eis a maravilhosa, estonteante e magnífica: Fontana de Treve.

Photo credit: AanikaP)

Trecho do livro Brasilitária: A Humanidade do povo da Rua.